Vera Cruz - RS, terça-feira, 17 de setembro de 2019
Publicado 16/08/2019 » Geral
Espontâneo ou provocado, o luto
Fonte: Jornal Arauto

A interrupção gestacional antes das 20 semanas ou quando o bebê nasce morto com menos de 500 gramas é considerado aborto. O assunto ainda gera polêmica quando é provocado, mas também é um assunto delicado e frágil quando ocorre de forma espontânea. O aborto divide opiniões, seja por parte da sociedade como também de profissionais da saúde, bem como da igreja.

Se de um lado, o aborto pode ser ocasionado por diversos motivos, desde causa genética ou relacionada à imunologia da gestação, segundo explicações médicas apontadas aqui, por outro, também traz sequelas psíquicas, de acordo com a psicologia, principalmente o sentimento de culpa. E para enfrentar este trauma, a mãe precisa de apoio e amparo. 

Para a Igreja Católica, por exemplo, a vida humana deve ser respeitada e defendida, em qualquer etapa ou condição em que se encontre. A Igreja Evangélica acredita que o aborto não pode ser aceito como solução para o problema da gravidez indesejada. Há motivos sociais, econômicos, dentre outros, que forçam as mulheres a interromperem a gravidez. Falta disposição para discutir estes motivos.  

No Brasil, o aborto é permitido em três ocasiões:  em decorrência de estupro; em casos que cause risco à saúde da mãe; ou de feto anencéfalo. Também existem diferentes classificações. “Podem ser divididas em abortos provocados, de forma legal ou ilegal, abortar ou abortos espontâneos quando ocorrem de forma natural”, explica o médico ginecologista e obstetra Leandro Assmann. Quando é espontâneo pode se manifestar com perda via vaginal ou não se manifestar, sendo descoberto através de exames.

Em alguns casos pode ocorrer somente a ameaça de aborto, que é quando ocorre a presença de sangramento no início da gestação sem que ocorra o aborto propriamente dito. “Normalmente, o único sintoma apresentado é o sangramento, podendo ou não ser acompanhado de dor”, sublinha.

Foi o que ocorreu com a analista administrativa Taís Helfer, de 34 anos, quando engravidou pela primeira vez. A vera-cruzense conta que quando ocorreu o aborto natural e espontâneo não sentiu dores, mas teve sangramentos. Ao ir ao médico, lhe foi recomendado repouso e durante uma semana foi acompanhada. Neste período fez algumas ecografias para ver o desenvolvimento do feto que estava com cerca de quatro semanas. Na terceira ecografia teve a triste notícia de que infelizmente tivera um aborto. Abalada com a notícia,  mas com o sonho de ser mãe sempre presente e o aval médico de que tudo estava bem e poderia engravidar novamente, dentro de pouco tempo a alegria não demorou para chegar na casa de Taís e do marido Jefferson Woyciekoski. 

Embora estivesse cautelosa e receosa no início da gestação de Miguel, hoje com quase quatro meses, Taís disse que ocorreu tudo bem. “Não tive nenhum problema na gestação do Miguel e hoje ele está aqui, forte e com saúde”, alegra-se. Não há dúvidas de que o pequeno Miguel é a alegria da casa.

MOTIVOS para o ABORTO
O médico esclarece que os abortos ocorrem por vários motivos. “O principal é de causa genética, e o embrião tem alguma alteração genética para de se desenvolver”, aponta. “Mas existem causas relacionadas a infecções da mãe, causas relacionadas à imunologia da gestação, onde ocorre uma resposta inadequada da mãe à gestação, causas anatômicas como alterações no útero e outras menos comuns”, completa.

NOVA GESTAÇÃO
Quando tratado adequadamente e principalmente quando o aborto é espontâneo, nada impede que a mulher engravide novamente após um determinado período. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a nova gestação pode ocorrer em seis meses. No entanto, existem diferentes citações na literatura que recomendam a partir dos três meses após o aborto, de acordo com o médico obstetra. 

CUIDADOS
Para evitar o aborto espontâneo, por exemplo, alguns cuidados devem ser seguidos, de acordo com Leandro. “Realizar exames, ter hábitos saudáveis, iniciar as consultas pré-natais assim que se descobrir a gestação, evitar o uso de tabaco e bebidas alcoólicas”, aponta. “Mas, muitas vezes, mesmo com todos os cuidados pode ocorrer um aborto. Em situações específicas medicamentos e tratamentos podem ser utilizados, porém, a causa e este tratamento devem ser avaliados pelo obstetra”, reflete.

Confira a matéria especial nas páginas 10 e 11 da edição impressa desta sexta-feira, do Nosso Jornal.

Hoje, com pouco mais de três meses, Miguel é a alegria de Taís e Jefferson (Foto: Luciana Mandler)






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