Vera Cruz - RS, terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Publicado 12/07/2019 » Geral
Carentes sim. Tristes, jamais
Fonte: Jornal Arauto

J oão Nilson de Oliveira e a família moram em um chalé, no bairro Renascença, em Santa Cruz do Sul. A casa é pequena, simples, mas receptiva. O coração de quem ali está é gigantesco. Mesmo com dificuldades financeiras, João, a esposa e os cinco filhos não deixam a tristeza tomar conta do dia a dia. Pelo contrário, gostam de sorrir, de se divertir. Se as gêmeas, Ketlin e Naiara, de quatro anos, convidam para um passeio de carrinho de mão, lá vai o pai. Se elas, ou as manas Ana Luiza e Jordana, de 7 e 8 anos, querem que a mãe brinque de boneca, lá está Lucinéia. As condições não permitem brinquedos modernos, chamativos ou até mesmo um videogame para André, de 13 anos, mas não impedem que os amigos venham para passar uma tarde juntos. Diversão, com certeza, não vai faltar.

Dentro de casa, os espaços são apertados. A cama vira guarda-roupa durante o dia. Para dormir, é uma cama para mais de uma pessoa - são três quartos para sete pessoas. Banheiro, por enquanto, eles não têm. Essa é uma das maiores dificuldades, diz seu João, com 57 anos. “Receber visita não dá. Eu fico arrumando desculpas pra que meus amigos da firma não venham aqui”, frisa. Para o banho, contam com a ajuda da mãe de Lucinéia. “Queríamos muito construir nosso banheiro, com chuveiro, mas as condições não dão”, lamenta ele, que trabalha como safrista em uma empresa fumageira de Santa Cruz do Sul e depois alterna entre bicos e na colheita do tabaco.

É preciso se virar, observa João, que sustenta a casa sozinho, com o auxílio apenas do Bolsa Família. “É um recurso que vem em boa hora. Ajuda muito”, diz. A família de João é uma das 2.578 que recebe mensalmente o valor em Santa Cruz do Sul.  Além disso, conta com a solidariedade de muitos. “Essa geladeira aqui, que é nova e boa, nós não compramos. Ganhamos da minha cunhada. Ela tem mais condições que a gente”, frisa o santa-cruzense, que diz já ter passado por momentos ainda mais apertados, de ter pouca coisa para colocar sobre a mesa. “Às vezes é só o arroz e o feijão, mas ainda temos. Que seja o arroz e o feijão”, agradece.

A VILA CRESCEU
Lucinéia Soares tem 29 anos e mora no bairro Renascença, em uma entrada à margem da RSC-287, desde que nasceu. Chegou a residir por um curto período no Residencial Viver Bem, mas decidiu voltar. João não se adaptou à rotina do novo endereço e preferiu o sossego. “Aqui que eu gosto, mais afastado, mais perto do mato, da natureza”, diz. Lucinéia e João viram a redondeza de onde moram crescer. “No início eram dois casebres, agora já são umas 30 casas, mas todas de famílias carentes”, diz.

Embora a situação no inverno seja mais complicada, sobretudo pela precariedade da residência, que tem frestas entre uma tábua e outra, seja nas paredes ou no assoalho, João e Lucinéia agradecem pela vida, pela família e esperam um país com menos desigualdades. “Uns têm tanto, outros têm tão pouco. Que os políticos olhem mais para nós, para quem mais precisa,”, espera.

As ajudas vão além do benefício do Bolsa Família
Os Municípios têm papel importante no auxílio às pessoas carentes. Conforme a secretária de Políticas Públicas de Santa Cruz do Sul, Guiomar Rossini Machado, as pessoas em situação de vulnerabilidade se dirigem à Secretaria seja de forma espontânea ou por encaminhamento da rede de atendimento, como CRAS, Creas ou ESF, explanando suas demandas ao setor técnico, momento em que é feito a avaliação social. Após, podem ser atendidos os benefícios eventuais, como auxílio-alimentação, auxílio passagem, auxílio-funeral até acolhimento em casa de passagem (albergue), entre outros.

Em Vera Cruz, a coordenadora da Secretaria de Desenvolvimento Social, Gabriela Ferreira, detalha algumas ações: auxílio em situações de calamidade pública, fotos para documentos, passagens para algumas situações, além de serviços socioassistenciais, como Cras, Creas, Casa Lar, Criança Feliz, programa novo do Governo Federal,  que atende famílias em casa, semelhante ao PIM, melhorias habitacionais, encaminhamento de benefícios sociais, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e cestas básicas para situações emergenciais.

Por Vale do Sol, os serviços prestados são semelhantes. No Cras, por exemplo, há atendimentos individuais e em grupo, encaminhamento de benefícios, entre tantas outras ações.
Além das realizadas pelos órgãos públicos, têm as iniciativas privadas e voluntárias, como recolhimento de agasalho, calçados, alimentos e muito mais. É a solidariedades ajudando quem mais precisa.

Leia mais uma história, além de dados do Bolsa Família e do Cadastro Único na edição impressa do Jornal Arauto deste fim de seman

(Foto Lucas Batista/Jornal Arauto)






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