Vera Cruz - RS, quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Publicado 11/09/2018 » Especial
O bem recompensado com latidos, miados e lambidas
Fonte: Jornal Arauto

Aquele olhar que conquista pela profundidade de sentimento, carência e até mesmo súplica. Aquele carinho genuíno, que não pede mais do que zelo e proteção. E que transmite amor puro quando recebe. Não, esta matéria não fala do príncipe encantado ou da mulher maravilha. Não saiu de nenhuma fábula ou filme de super-heróis. Fala da adoção de animais abandonados. Esses mesmos, que estão vagando pelas ruas, tantas vezes vítimas de maus tratos, de negligência, de desamor. Existem infinitos exemplos de como é possível estimular o bem em ações simples, do cotidiano, como provoca a série Cidadania. Eu pratico. Existem muitas Patrícias e Julietes pelo mundo. O que elas querem é que haja menos gente que pratique a violência e mais iniciativas comunitárias e públicas que mudem a realidade.

A microempreendedora Patrícia Neves cresceu rodeada pelos bichinhos, sempre foi de cuidar, zelar pelo bem-estar. Há 18 anos, adotou Vera Cruz como lar e não tardou a se envolver com a causa. Em sua casa, são oito cães e uma gata, quase todos de rua. A primeira adoção foi com a cadelinha Branca, há cerca de sete anos, que estava em frente de casa, como que esperando pela porta abrir para ser recebida. Ainda tinha leite, mas nem sinal da ninhada de filhotes.
Enquanto existiu a Associação Mãos e Patas, era uma das voluntárias e pelo envolvimento, se deparou com muitos pedidos de ajuda. E as adoções foram se somando. Depois da Branca, Patrícia conheceu Dercy. Foi amor à primeira vista. Ela havia sido recolhida pela Mãos e Patas no interior de cidade, teve filhotes, todos foram adotados, mas a mãe foi ficando. O olhar de gratidão que Dercy dedica à Patrícia é inexplicável. “São como meus filhos. Dercy é meu amor, meu nenê”, frisa. Depois veio o Fred, a Amora, que já estava prenha; Geromel e Abílio (filhotes de Amora), Mafalda, e os dois cãezinhos que vieram da irmã de Patrícia: Edgar e Abigail. E ainda tem a gata Titoca, para alegrar com seus miados. A turma é grande, e a jovem enche os olhos d’água para falar de cada um deles e das situações adversas pelas quais passaram muitos dos animais com quem já teve algum contato. Sem comida, sem abrigo, sem amor. Abandono. “Tenho vontade de poder fazer mais. Tem tanta gente que maltrata, envenena, enforca os bichos. Queria que as pessoas se conscientizassem que são seres vivos. Também queria ver mais ações práticas, políticas públicas, atenção ao recolhimento, vacinas, castração. É saúde pública e Vera Cruz está carente nisso”.

Gratidão que extravasa 
o coração, está no olhar

Foi em 2013, no evento Domingo Animal, realizado na Praça José Bonifácio, que Juliete Machemann e Jonas Keller decidiram dar uma volta e ver os bichinhos que estavam para adoção. O casal chegou perto das gaiolas e viu que, em uma delas, muitos se aproximavam, mas logo seguiam caminho. A rejeição era nítida e a professora quis saber o motivo do afastamento. Foi conquistada de imediato por Fred. Logo constatou que ele não tinha um olho e era um cão maior - a preferência deles, já que a maioria dos casos deseja um filhote. Mas a decisão estava tomada, Fred ganhou um lar.
“Ao meu ver, era um ato simples. Estava adotando um cachorro. Depois soube do histórico de maus tratos e isso só reforçou a convicção de que era a escolha certa”, frisou Juliete. Fred viveu ainda por quatro anos, teve outros problemas de saúde. Foi pouco tempo, lamentam os donos, mas trataram de fazer os últimos momentos dele felizes. Mas a história não termina aqui.
Dois dias antes da filha, Anna Luísa, nascer, Juliete e Jonas receberam a visita de um gato, que foi ficando, ficando. Ganhou o nome de Miggy. E o receio, após a morte de Fred, em adotar outros cães, logo se dissipou ao ver a imagem de um filhote pelas redes sociais. Sherlock foi escolhido por Juliete, mas o marido preferia uma fêmea, então Luna também foi adotada, há cerca de dois meses. A gratidão no olhar, a carência que transborda, o gosto pelo carinho, pelo cuidado, são visíveis nestes bichinhos que procuram um lar. Juliete achava que tinha feito pouco. “Eu só adotei”, refletiu ela, reconhecendo que há muita gente que vive a causa intensamente. Mas se mais tantas, muitas pessoas fizessem só isso, as ruas ganhariam menos bichinhos e os lares teriam mais vida e amor.

A matéria completa está na edição impressa desta terça-feira.

O olhar de Dercy para Patrícia revela gratidão e amor sem medida (Fotos Arauto)
Mesmo sentimento que Juliete enxerga em Sherlock e Luna, que ganharam um lar






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