Vera Cruz - RS, sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Publicado 10/10/2017 » Especial
Por uma infância de verdade
Fonte: Jornal Arauto

A correria está grande. Jornada de trabalho pesada. Cansaço mental e físico. Ponteiros do relógio parecem correr as 24 horas em minutos. Essa percepção é comum nos dias de hoje, parece que não se tem tempo para nada. Mas aquele que se tem, como é usado? Parece ser um desafio, especialmente para quem tem criança em casa, conciliar o expediente profissional, o lar e o cuidado dos filhos. Há quem opte pelos jogos eletrônicos e celulares, apenas. E há quem busque equilibrar a balança e conviver mais com a criançada. Este tempo que se “perde”, parece ser o que mais se ganha.

Lisiane Moraes cresceu em meio ao Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Acreditava que se tivesse um dia uma filha, ela seguiria seus passos na dança. Rafael Moraes cresceu no movimento escoteiro, acampando, fazendo trilhas, vivendo no meio do mato. Se tivesse um filho, achava que poderia seguir seu gosto. Pois há quase 12 anos nasceu a Gabriela. Bibi, para quem conhece. Menina que é um xerox da mãe, foi os passos do pai que ela seguiu. Conheceu as histórias do tempo que Rafael vivenciou o escotismo, mas foi a partir de uma atividade na escola que Bibi foi fisgada. E fisgou os pais.

“Foi a melhor coisa da vida ela ter entrado no escotismo”, orgulha-se a mãe, que enaltece a importância do contato com a natureza, o tipo de amizade cultivado e a naturalidade com que lidam com assuntos como inclusão, diferença, aceitação. É claro que a convivência vai além do escotismo, a família adora andar de bicicleta, passear e tem em comum a paixão pelos animais. Mas falou em acampamento, o olho brilha. Tanto que no aniversário de 11 anos, a festa foi um verdadeiro acampamento, supervisionado por Rafael e Lisiane. Tinha vôlei de areia, futebol no sabão, guerra de bexiguinha. Com simplicidade, a diversão foi completa.
O movimento escoteiro uniu a família e Bibi demonstra o maior orgulho disso. “O apoio, o amparo, a convivênvia com os pais são insubstituíveis. Se tu encontrar algum vínculo que una, seja escotismo, dança, futebol, vale a pena apostar. É tempo que todos ganham. E isso é o mais significativo no crescimento dos filhos e nas lembranças da infância que ficarão. Quando ela tiver 20, 30 anos, temos a certeza que ela vai lembrar desta vivência com a gente, no escotismo”, frisam os pais.
REFLEXO NOS FILHOS - Tem coisa mais sadia do que gastar energia ao ar livre, jogar bola, andar de bicicleta e resgatar aquelas brincadeiras antigas, fazendo com que os adultos voltem no tempo e revivam a própria infância? Pois o bairro Conventos, em Vera Cruz, tem um recreacionista nato. Licério Müller é daqueles pais ligados na tomada e que fazem questão de participar da brincadeira. Em alguns momentos, dá até para confundir quem é a criança e quem é o adulto, tamanha diversão. Entre os vizinhos, a turminha da filha Valentina, de sete anos, conta com sete amiguinhas e quando chegam os guris, o grupo soma umas 12 crianças. Basta chegar perto da moradia de Licério, que os sinais se apresentam: tonel no meio da rua com a inscrição para cuidado com as crianças. Campinho de futebol no terreno baldio preparado com a ajuda da garotada. Tacos para brincar na rua, pula-pula para os dias de verão, festinha de São João para unir a vizinhança e resgatar as brincadeiras típicas da festa. Tudo com o dedo do paizão envolvido.
Na tarde de domingo, a diversão era o “tapa-litrão” numa garrafa pet cheia d’água, presa numa corda. E descer o barranco sobre a “canoa” do coqueiro, tem algo mais original? E desfilar pela casa em cima do salto alto da mãe, pode? Deise Borges apoia e empresta até suas maquiagens para as produções de Valentina e suas amigas. E quando ainda sobra energia tem esconde-esconde, cavalinho, e por aí vai.
VIVÊNCIA REAL E MENOS VIRTUAL - O uso da tecnologia por lá é mínimo. Tablet só mesmo quando os pais estão assistindo a alguma programação na tv. Criada em meio às brincadeiras ao ar livre, a menina nem parece sentir falta de teclar, passar o dedo ou escolher algum joguinho. O passeio de bicicleta na praça é que é uma festa. Ou a ajuda na cozinha, no preparo do pão. Valentina adora estas atividades, ainda mais se puder andar um tanto na garupa do pai... “brincar de cavalinho”, lembra ela. E se ele não pode estar em tudo, a menina sente falta. Essa confissão, simples que só, arranca aquele sorriso orgulhoso do papai, que sabe que está no caminho certo.







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